sábado, 25 de junho de 2011

O início do fim da gramática


Opinão do professor Sérgio Nogueira sobe o livro"Por uma vida melhor"
Essa opinião é exagerada, pois a gramática não vai acabar! O livro só nos mostra
como o povo fala e não como devemos falar.

Postado por: Sarah Mayara

José Luiz Fiorin fala da polêmica sobre o livro didático "Por uma Vida ...


Esse vídeo explica um pouco mais sobre o livro "Por uma Vida Melhor".
Entrevista com o linguísta José Luís Fiorin.

Postado por: Emanuele Freitas

ROTACISMO x SÍNCOPE
Síntese do trabalho de sociolinguística
Precisamos saber diferenciar os termos Rotacismo e Síncope.
ROTACISMO: Troca de uma consoante líquida lateral por uma líquida vibrante.
Exemplo: planta por pranta
                   papel por paper
SÍNCOPE: Perda de dois ou mais segmentos no interior de um vocábulo.
Exemplo: fósforo por fosfro
                    xícara por xicra
RESUMINDO: A principal diferença entre os dois termos é simples: rotacismo resume-se a uma troca de consoantes e síncope é o apagamento de consoantes.
Semelhanças
·         Ambos são estigmatizados;
·         Típicos de comunidades rurais;
·         Ambos estiveram presentes da passagem do latim para o português.

   POSTADO POR: EMANUELE FREITAS







CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ – Patativa do Assaré

Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisa
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma boa paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhece bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele mora,
Te armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vive pobre, sem dinhêro,
Trabaiando o dia intero,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é munto ditoso,
Sabe lê, sabe escreve,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padece.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de oro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.
Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.
Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dize que não mexa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.
Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô
Seu verso é uma mistura
É um ta sarapaté,
Que quem tem pôca leitura,
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.
Canto as fulô e os abróio
Com toda coisas daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se buli.
Se as vez andando no vale
Atrás de cura meus males
Quero repará pra serra,
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um diluve de rima
Caindo inriba da terra.
Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.
Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro manso,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.
Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito meta.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.
Sua vida é divertida
E a minha é grande pena.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mio do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.
Eu não posso lhe inveja
Nem você invejá eu
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.
Aqui findo esta verdade.
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve toma.
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Postado por : Ádila Taynah 

Apelidos Sertanejos

Arroz doce de pagode: indivíduo que não perde festa
Barata descascada: menino muito alvo
Barba de arroz doce: que tem a barba alourada
Barba de sovaco de ovelha ou bigode de arame: ruivo
Barriga de soro azedo ou barriga de bezerro enjeitado: menino barrigudo
Beiço de gamela ou  beiço de alguidar: beiçudo
Boca de biquara: mulher de lábios muito pintados
Boca de carga vazia: que tem grande boca. Diz-se também boca de carro de  trem
Boca de chupar ovo: que tem a boca pequena
Boca de moela: desdentado. Diz-se também boca de sepultura
Boca de ninho: que usa barba à nazarena
Bunda de tanajura: menino de ancas roliças
Cabeça de bater sola: que tem a cabeça achatada
Cabeça de comarca ou cabeça de todo nós: que tem grande cabeça
Cabeça de escapole: de cabelo cortado rente ao crânio
Cabelo de espeta caju: que tem cabelos eriçados
Cabeça de espiga de milho: de cabelos avermelhados
Cabelo de fundo de mocó: que tem cabelos ruivos e castanhos
Cabelo de mel com terra: que tem o cabelo quase encaracolado como o dos negros
Cabelo de semente de mamão: diz-se do cabelo dos negros. O mesmo que cabelo de pimenta do reino ou cabelo de bosta degalinha
Cabo de formão: que é baixo e gordo. Diz-se também cortado nogrossobaiacutoco de cachorro mijar, tronco de amarrar onça
Caga-raiva: irascível
Calunga de botica: enfeitado e pedante
Cambito de sabiá: que tem pernas finas
Caneco amassado: corcunda
Cara de areia mijada: que tem no rosto sinais da varíola
Cara de batata estragada: que tem sinais de espinha
Cara de bolacha doce ou de lua cheia: que tem cara larga
Cara de cachimbo cru: indivíduo de feições grosseiras
Cara de cachorro mijando na chuva: encalistrado
Cara de mamão macho: que tem o rosto longo e descarnado
Cara de milagre: indivíduo muito feio
Carapanã de bigode: homúnculo de bigode comprido
Carne viva: indivíduo muito vermelho
Carranca de portão: carrancudo
Carrapeta doida: irrequieto, que anda às pressas
Chapéu de apara-castigo: que usa chapéu de abas largas
Chapéu de sol enrolado: que é alto e magro, veste de preto e trás sempre a roupa abotoada
Come-longe: muito anêmico
Cururu de goteira: corpulento
Dente de preá: que tem dentes miúdos, salientes e superpostos
Desertor de cemitério: que tem aspecto cadavérico
Eleitor de paróquia: indivíduo que veste graciosamente
Espalha-brasas: turbulento
Espinhaço de olaria: que tem corcovas
Fecha comércio: desordeiro
Galo de raça: vermelho, alto, esbelto, de pescoço comprido e pernas em arco
Mão de catarro: que não conduz lenço para se assoar
Mão de gengibre: que tem engelhada uma das mãos
Maracujá de gaveta: que tem pele mui rugosa, engelhada
Nariz de nó de peia: que tem o nariz não afilado
Olho de cabra morta: que tem lânguido o olhar
Olho dcachimbo apagado: que tem um olho vazado
Olho de pitomba: que tem salientes os globos oculares
Olho de ternantonte (transanontem): estrábico
Olha de vaca laçada: que costuma andar de vista baixa
Onça macho: o mesmo que carranca de portão
Orelha de abanar fogo: que tem as orelhas côncavas
Ovo de capote ou de guiné: sarapintado de sardas
Pai de chiqueiro:  que tem barbas longas
Papada de tejo: papudo
Papangu de quaresma: abestado mas metido a espirituoso
Patacão novo: indivíduo ruivo e de pele lustrosa
Pau de enrolar tripa: que é alto e magro. O mesmo que pilombeta
 de lancha: que tem pés grandes
 de papagaio: que anda com os pés voltados para dentro
 de "premessa" (promessa, ex-voto): que tem o pé aleijado
 de rebolo: que tem pés grossos
Pega-siri: que usa calças curtas
Perna de arco de barrica: que tem as pernas curvas
Perna de bater banha: que arrasta uma perna, a qual é mole
Perna santa: que arrasta uma perna, a que é dura
Pescoço de garrafão: pescoçudo
Pestana de porco ruivo: albino
Pinguelo
 de arapuca: o mesmo que priquitinho de meio de carga
Prego dourado: menino louro
Priquitinho de meio de carga: indivíduo baixinho e raquítico
Queixo de graviola: que tem o queixo torto
Saca de lã: mulher corpulenta
Sobrancelha de caboré: que tem sobrancelha espessas
Tacho areado: indivíduo vermelho e ruivo
Tatu enfezado: pessoa baixinha e agastadiça
Testa de carneiro mocho: que tem fronte mui espaçosa
Tição apagado: negro vestido de preto
Toitiço de chamurro: que tem larga nuca
Unha de peba: que não apara as unhas
Vaqueta de espingarda: mulher alta e magra
Venta de bezerro novo: que tem o nariz achatado
Venta de ripulêgo: que tem o nariz achatado
Venta de telha emborcada: que tem narinas dilatadas
Venta de tucano: narigudo

Postado por: Ádila 

Linguagem popular em São Paulo

Arranchar: acampar, estabelecer moradia, fixar-se (vem de rancho e se origina do linguajar tropeiro)
Arribar: chegar (a expressão chegue é usada no sentido de entar na casa)
Assuntar: perguntarm inquirir, também meditar
Assustado: baile de improviso, função
Banzé: desordem, briga, confusão
Batuta: excelente, ótimo. Usado para dar nome a animais domésticos.
Biriba: o mesmo que caipira ou tropeiro. Também é um jogo de cartas
Bizarria: esforço, bravura, valentia. Como vai essa bizarria?
Boneca: espiga de milho madura. O milharal fica então embonecado
Breganhar: substantivo e verbo. Troca, barganha
Cacunda: costas, ombro, corcunda
Cadê: forma popular, interrogativa corrente, empregada no sentido de "que é de", "onde está"
Cafundó: lugar distante, ermo, desértico. Morar no cafundó, ir para o cafundó. Curiosamente tornou-se um nome de família.
Caipirismo: coisa, mancada, atitude de caipira. Caipirada
Calumbo (calombo): inchação, protuberância, acidente do terreno
Cambito: pau para amarilho, perna fina
Carne-de-vaca: coisa muito comum, vulgar, banal
Casamento de espanhol: sol e chuva
Casamento de raposa: sol e chuva
Catinga: mau cheiro, fedor
Catingueiro: capinzal que cresce em lugares altos, a salvo da geada; outro nome do veado campeiro
Cheiro de história(s): vaidoso, enjoado, complicado
Chucro: bravo, não domado, ignorante
Chupim (chopim): parasita. Marido de professora
Coco: armadilha para peixe
Colher-torta: intrometido, não chamado à conversa. "Não bota a cuié torta, muié" (Cornélio Pires)
Dependura (estar na...): sem dinheiro, pronto
Diacho: diabo, amolação. Que diacho!
Direito (dereito): sério, correto; moça direita
Direitura: indicativo de rumo, direção
Empinar: corcovear o cavalo; levantar, erguer no espaço
Esganação: apetite, gula, devorar o alimento com sofreguidão (esganado)
Estrupício: desordem, barulho, chatice
Família (famia): os filhos. É sua família (seu filho)?
Farofa: gabolice, contar garganta
Faxina: mato sujo; limpeza (termo de origem militar)
Folgazão: mestre de reza, violeiro
Função: baile, fandango
Grana: dinheiro (italianismo)
Historiada: coisa complicada
Impacado (empacado): cavalo ou boi que não sai do lugar
Impipocado (empipocado): criar pipocas ou borbulhas na pele. Próprio dos variolosos.
Jacá: cesto ou bruaca de taquara
Juda(s): substantivo e adjetivo de remota conotação anti-semítica. Traidor, palhaço, falso. Boneco de pano malhado na Aleluia. "Malhar o judas".
Levado: peralta, moleque; moça leviana (levada)
Mal (O): designação popular da lepra, evitando a palavra terrível
Matungo: cavalo velho ou lerdo
Mecê: Vossa Mercê; você (ocê)
Moça: jovem senhorita (conotação diferente do Nordeste)
Moda: cantiga de viola (cantiga de moda)
Mundana: mulher da vida (do mundo)
No mais: ademais, além disso
Pacuera: as entranhas. Conjunto de traquéia, bofes, coração, fígado e baço de alguns animais, especialmente o boi, carneiro e porco. Pôr as pacueras de fora: pôr o peito, os sentimentos à mostra.
Pagode: festa, baile, farra. Pagode popular. O equivalente apândega. Visível orientalismo.
Pajem: moça ou menina que toma conta de criança pequena
Pamonha: lerdo, mole, sem préstimo
Pantomima: comédia, encenação, drama de circo
Pidonho(a): pidão, pedichão
Pito: cachimbo de barro, com canudo (canudo de pito). Hoje, sinônimo de cigarro: Me dá um pito. Também repressão, advertência.
Pururuca: couro torrado, torresmo
Puta: prostituta, usado correntemente no sentido de grande, enormidade
Quirera: mistura de milho e farelo própria para pintos e galinhas; coisa insignificante
Rabeira: ficar para trás, o último colocado
Rabicho: peça do arreio. O termo é usado também para significar atração sensual, amor constante, namoro
Repassar: remontar, revisar. Repassar o cavalo.
Sacudido: forte, valente, saudável
Sapeca: levada, leviana; carne mal-passada (sapecada)
Sororoca: rumor da respiração dos moribundos. Está com sororoca:está morrendo.
Sufragante: flagrante, surpresa; a "parte" (jurídico)
Supimpa: ótimo, excelente
Sustância (substância): força, coragem, energia
Tapera: casa velha e abandonada, ameaçando ruína; decadência
Toada: ritmo, marcação, marcha. Seguir numa toada.
Tobiano: raça cavalar de criação do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (Aluísio de Almeida); cavalo pampa ou malhado
Trabucar: trabalhar. "Quem não trabuca, não manduca" (provérbio citado por Amadeu Amaral)
Trabuco: garrucha
Trucar: provocar o adversário no jogo de truco; donde, trucada
Turuna: ótimo, excelente, bacana, cutuba. Usado para dar nome a animais domésticos
Tutu: virado de feijão (tutu-de-feijão). Empregado em relação às mulheres de formas atraentes: É um tutu.
Varar: atravessar, romper. Varei o campovarei o caminho. Muito usada a expressão varei a noite, no sentido de passá-la em claro; donde varação ("varar" canoas em terra)
Velhacar: assustar, empinar o cavalo; de velhaco

Postado por: Ádila

Mar de palavras - Falares do Brasil

Caso De Rua

Roberta de Recife

Composição: Roberta De Recife / Maurício Negão
Ele era só um caso de rua
tão bandido tão antigo
um amor a cada esquina
em cada flor cada menina
foi entrando em minha vida
só pra me fazer feliz
Mas quem mandou tu ser meu amor
mas quem mandou tu ser (2X)

E passou perto de mim
com os olhos de Adão
sorriso Dom Juan
já não deu certo não
e lançava só pra mim
seu bote sedução
pior que ele chegou num dia de solidão
Mas quem mandou tu ser meu amor
mas quem mandou tu ser (2X)

Se todo dia o galo canta
o sol que deita se levanta
pensando que ainda me engana
com o cheiro da fulana
as coisas do mundo eu tenho 
só não tenho teu amor

Mas quem mandou...

Postado por:. Ádila Taynah